Em setembro de 2018, uma adolescente de 17 anos recebeu uma ligação de número confidencial. Do outro lado da linha, um homem — que se identificou apenas como Jorge — a convidou para um encontro em uma localidade próxima à rodovia federal BR-116, em Fortaleza.

Foto: Ilustração da Internet

 

Ela aceitou, acreditando se tratar de um rapaz de mesmo nome com quem teve um "breve contato" no passado. No local combinado, porém, a jovem foi surpreendida por três suspeitos que a coagiram a entrar em um carro e a estupraram.

À época, a vítima relatou o caso à Polícia e afirmou que dois de seus agressores se chamavam Jorge e Fernando. Com essas informações, as forças de segurança chegaram ao motoboy Jorge Luiz Freitas dos Santos, 27, com quem a adolescente havia se relacionado, e o prenderam. Só que ele — então com 21 anos — era inocente.

Isso foi provado à Justiça na última segunda-feira (25), em um processo de revisão criminal, quase dois anos após o trânsito em julgado da sentença que condenou Jorge. Ele foi solto na tarde desta quarta (27).

O motoboy passou três anos e quatro meses preso — considerando o tempo como detento provisório e condenado. Nesse período, a própria vítima do estupro decidiu mudar o seu depoimento por reconhecer que não viu o rosto dos agressores e não ter identificado a voz de Jorge. Foi ela, inclusive, quem decidiu buscar a Defensoria Pública do Ceará para tentar reverter a prisão.

"A partir da retratação espontânea da vítima, a Defensoria Pública iniciou uma investigação aprofundada sobre o caso e conseguiu novas testemunhas, bem como uma importante troca de mensagens, provas que não haviam sido juntadas durante a fase de instrução [do processo]", detalhou o defensor público Emerson Castelo Branco, responsável pelo caso.

Fonte: Diário do Nordeste